Oh my Dol!

É uma ilha pequena com aproximadamente 57 quilómetros de comprimento. As encostas moldam-se até ao mar com uma vegetação tão verde que quase se faz ouvir  roçar nas ondas que espumam as escarpas. Os vales são profundos e as montanhas tocam os céus, num suspiro que oscila entre ventos calmos e menos calmos…a nossa ilha sauda-nos todos os dias com uma multiplicidade de pequenos climas que remetem-nos para diferentes estações. Amanhecemos numa convidativa Primavera e deitamo-nos com uma brisa a que chamamos de frio de Inverno…aos olhos de grande parte do mundo resume-se a uma agradável noite de Verão! Os casacos de abafo são um acessório para ir à serra, nos mais frios dias de Inverno…são também objetos de aquisição das mães que vêem partir filhos desajeitados e indefesos, para um continente, que apesar de falar a mesma língua não tem, de todo, este colo. Esta é a realidade de um ilhéu, é a minha, é a nossa e a de tantos que perderam “abrigo” para poderem voar mais alto: sonhámos voar para fora do ninho, nas inúmeras vantagens em sair das saias da mãe, das regras apertadas do pai e do controlo dos avós; o oceano tem, para um ilhéu, um efeito deveras libertador, ao contrário de quem nos visita e sente a asfixia de um pequeno calhau no meio do Atlântico!

…e  dezenas de anos passados, voltamos a voar para fora da ilha, em busca de um sonho que nasceu com a nossa infância, ganhou forma com o passar dos anos, dos convívios e de um sentimento consolidado; a nossa ilha não foi barreira suficiente para ficarmos num marasmo confortável e fez-nos, à semelhança dos tempos de faculdade, voltar a apanhar aviões fora de horas e longas viagens de carro até ao destino final. Hoje os compromissos são diferentes: para trás não ficam mães de coração apertado e lágrimas nos olhos, a tentar emalar tudo o que não faça esquecer a casa e a família, nos longos meses que se avizinham…desta vez deixamos para trás olhos pequeninos que rodeiam a nossa mala e perguntam incessantemente quando voltamos…descolamos, olhamos uma para a outra, sorrimos em surdina lembrando-nos desta loucura saudável…Oh my Dol…here we go again!!!!

Sofia D.